desinfluenciando você
e um encontro comigo
Quando eu era criança, lembro de detestar a escola. Seja porque eu tenha recebido a negativa para entrar no grupo das meninas mais legais ou por apanhar em um intervalo e outro, sem ao menos saber como reagir, sentir medo de falar e ainda tomar uma bronca.
Apesar disso, foi na escola que eu conheci a minha melhor amiga de infância, que eu aprendi a ler e a escrever o meu nome. Foi a escola que abriu espaço para eu conhecer os livros e me apaixonar por eles.
Essa dualidade é quase como um filme. A diferença é que, no futuro - no caso, hoje - eu não vivo uma vida perfeita. Aquele famoso plot twist que transforma toda a história. No entanto, há um sentimento bom em mim, apesar de todas as inconsistências que a vida real nos proporciona. Eu tenho boas amigas, não apanho mais e não há nenhum grupo do qual eu queira fazer parte, porque simplesmente sinto que não preciso.
Eu me reconheço nos meus e, mais do que isso, me reconheço em mim. Há uma bagunça interna gigante dentro da minha cabeça. Tenho tantas questões que insistem em aparecer logo antes de dormir e, ao mesmo tempo, tantas dúvidas.
Essa sensação - de bagunça - me incomoda um pouco, e eu percebi que não vou resolvê-la sozinha. Nesta semana, entrei em contato com a minha terapeuta para retomarmos os nossos encontros.
O que é curioso é essa relação de ir e vir, começar e parar, parar e voltar. Lembro de quando pedi um tempo para minha terapeuta. Ela disse: “admiro você por tomar esta decisão”. Ao mandar uma mensagem pedindo um horário, ela me respondeu: “sempre terei um horário para você”.
Fiquei emocionada. Talvez seja um pouco de carência ou a necessidade de ser acolhida por outras pessoas? Talvez seja, sim. Não vou negar: eu gosto de quando me tratam com carinho (pode ser resultado da negação que sofri na infância, ao não ser considerada boa o suficiente para o clubinho - ou na adolescência, quando tentei ser quem eu não era).
Há alguns dias, fiz um post de que gostei muito. Na verdade, é uma trend do “desinfluenciando você”, que tem um significado a mais do que eu trouxe, até de conscientização em relação ao consumismo. Mas eu mergulhei um pouco mais para o lado das coisas que não deram certo - como sentar no vômito na volta do show do Imagine Dragons.
Eu tenho um pouco de medo de que as pessoas pensem: “ela se vitimiza demais” ou “tudo é sobre ela”. Mas, na verdade, as coisas realmente são sobre mim. Isso eu não posso deixar de concordar.
No entanto, também venho pensando que nem devo me importar tanto com o que pensam. A minha psicóloga disse que sempre terá um horário para mim. Essa é a minha prioridade hoje.
Também nesta semana, eu voltei para a aula de ginástica. Novas pessoas entraram. O meu amigo, “seu” Sebastião, chegou feliz porque completou 80 anos. Ele não tem ideia do quanto eu gosto dele. Do quanto ele me faz querer ir à aula. E a dona Maria, sua esposa, é uma querida. Caramba. Eu queria colocá-los em um potinho (isso quer dizer que eu os admiro demais).
Estou 100% quebrada, com dores pelo corpo, mas foi tão legal voltar. Especialmente após a minha entorse no tornozelo direito. Essa é uma história cômica, porque faço ginástica com pessoas mais velhas do que eu. Eles dizem que eu sou “a mais nova” e esperam de mim uma “performance diferenciada” - interessante pensar nisso, porque eu não a entrego (risos).
No final do ano passado, o professor fez uma proposta: um dia diferente. Iríamos fazer uma atividade quase como um “rouba-bandeira”. Tínhamos que correr de um lado para o outro com nossos grupos, pegando os itens dos nossos concorrentes (amigos da ginástica). Eu olhei para o lado e a dona Maria estava no meu grupo. Pensei: “ela ficaria muito feliz se a gente ganhasse”.
No momento em que o professor falou “pronto”, eu corri com todas as minhas forças e, ao pular um elemento que estava no chão, eu caí e o meu pé virou. Que dor. Foi interessante: todos me olhando. Até chegarem à conclusão de que ninguém havia se machucado na ginástica - apenas eu. A pessoa de quem esperavam uma performance extraordinária.
Ao escrever, percebo que estou tendo, nos últimos dias, algumas voltas. Seja para a academia ou para a terapia, e isso me faz pensar que a vida é esse movimento interessante.
Inclusive, escrevo esta news logo após uma soneca para me recuperar de andar pelas ruas do Brás, aqui em São Paulo, com a minha mãe e a minha tia. Fato curioso sobre isso: estávamos em uma fila meio bagunçada. Uma moça se aproximou, mas eu não fazia ideia se ela havia chegado antes ou depois.
Fui tentar fazer amizade e disse: “moça, não sei quem chegou primeiro, mas pode passar”, e dei uma risadinha. Ela me olhou feio. Para tentar melhorar a situação, eu disse: “afinal, vamos para o mesmo lugar, né?”. Ela me olhou mais feio ainda. Dei uma risadinha sem graça e, segundos depois, mentalmente mandei um “ah, foda-se”. Em outros tempos, eu sofreria com isso. Considero este pensamento uma vitória, meus amigos.
Confesso que tenho gostado desse pensamento de desinfluenciar. Me identifico mais com ele do que com o influenciar. Eu gosto da vida real, mesmo ela sendo assim, com seus altos e baixos.
Obrigada pelo seu tempo.
Coisinhas legais
A Talissa, pessoa por trás do Clube do Offline, me convidou para dar uma “palhinha” na news do seu projeto. Eu amei a edição (não apenas pelo convite, mas porque ficou tão bonita) <3. Leia aqui.
Nesta semana, o compositor e cantor Jota.pê compartilhou um post meu e me respondeu na DM. Ele disse que amou. A publicação foi essa aqui.
Saiu o primeiro post da publi com a Editora Fontanar, uma resenha sobre o livro “Ambição com propósito”, de Amina AlTai. Eu estou 100% ambiciosa após ler o livro (vale entender realmente o que é a ambição). Fiz um vídeo falando sobre o exemplar.
Já contei que entrei para o programa Parceiros da Sextante? É uma iniciativa muito bacana da editora, que convida criadores a mergulharem nas mais diversas obras. Estou lendo agora “Organize e simplifique sua vida digital”, escrito por Tiago Forte. Fato curioso: eu amo organização. Amo organizar pastinhas, arquivos. Então, estou gostando. <3
Mais uma vez, obrigada por escolher ler o que eu escrevo. É uma honra.

