é domingo
e você pode mudar de opinião
Neste ano, entrei em dois programas de leitura: um promovido pela Editora Sextante, chamado “Parceiros da Sextante”, no qual recebo, em média, dois livros por mês e, como contrapartida, produzo um conteúdo. E também entrei no da Companhia das Letras, focado no LinkedIn, chamado “Parceiro Companhia 2026”.
Eu confesso que fiquei muito feliz, porque, para mim, é muito simbólico trabalhar com duas editoras que eu tanto admiro. Ao mesmo tempo, fiquei um pouco assustada e tento não colocar a leitura como algo que preciso fazer. Por isso, tenho escolhido bem os exemplares, porque quero me conectar com o que estou lendo.
Toda esta introdução é para dizer que comecei a ler o livro “Viciado em ansiedade”, publicado pela Editora Fontanar, selo de bem-estar da Companhia. Eu ainda não terminei, mas tem um trecho que chamou muito minha atenção: o autor diz que temos entre 60 e 80 mil pensamentos por dia. Cerca de 70% deles podem ser negativos ou temerosos por natureza.
Eu acredito que me encontrei nessa afirmação, apesar de repetir para mim mesma que não sou uma pessoa negativa. Ao menos, não tento ser. Acontece que sou uma ótima pessoa para te apoiar e dizer que vai dar certo. Agora, quando o assunto é comigo, eu sou os 70% de pensamentos negativos.
A última semana foi um pouco intensa para mim - não em termos de sobrecarga de trabalho, mas de sobrecarga mental, que é tão pesada quanto. Pensar tanto ao longo do dia me faz imaginar como seria legal adotar um cachorrinho, ou se eu deveria realmente tentar voltar a estudar, quem sabe um mestrado. Mas tudo isso em cerca de um minuto.
Para tentar organizar melhor as coisas que eu estava sentindo, resolvi estrear um caderno que ganhei de uma grande amiga, Luísa Kalil, dona da newsletter mais querida, “A escrita é meu chão”. Eu ganhei de presente quando viajei para Porto Alegre, no final do ano passado.
Nele, escrevi tudo o que eu estava sentindo, todo o meu desconforto e todas as minhas dúvidas. Fiz isso por três vezes na semana passada. Acontece que hoje, mais precisamente há alguns minutos, senti que peças começaram a se encaixar e fiquei refletindo sobre o quão intenso e verdadeiro foi escrever tudo o que estava dentro de mim. Apesar disso, as coisas podem mudar. E mudaram.
Não tive uma revolução em menos de uma semana, mas não me encontrei mais nas angústias que havia colocado no papel. Sendo bem honesta, isso acontece com uma certa frequência e não imagino que seja só comigo. Ao mesmo tempo, não sei como chegar em alguém para despejar tudo isso (com exceção da terapia).
Eu queria falar mais sobre os meus sentimentos, mas eles são tão confusos, inclusive para mim. E, nesta jornada, também ouso dizer que não sei o quanto quero dividi-los nas entrelinhas. Quando sinto, coloco para fora. Em outros momentos, escrevo.
Nos aproximamos do final de março e sinto que fui atravessada. Não estou com a sensação de que fiz uma viagem para outro país - até porque ainda nem sei qual é -, mas sinto que não estou exatamente no mesmo lugar. E talvez não estejamos.
Talvez cada dia seja um novo lugar. Ainda que o passo seja milimetricamente notável, eu ainda insisto em chamá-lo de passo.
Me encontro na citação dos 60 mil pensamentos por dia e, olhando para essa quantidade, não é de se surpreender que podemos mudar de opinião.
Eu já chorei muito aos domingos. Ainda choro, às vezes. Mas já não sinto mais aquela raiva da semana começando. Isso foi uma mudança. Eu já disse que esportes não eram para mim, mas hoje, quando estou na ginástica fazendo algum exercício, penso o quão ignorante eu era. Não quer dizer que eu goste, mas sentir o meu corpo tremendo, ainda sem consistência, me faz perceber que preciso fortalecê-lo.
E, aqui entre nós, acredito que ainda vou repetir muitas coisas na vida. Uma delas é o “eu já”.
Bom, me aproximo do final desta reflexão que bateu por aqui. Agora lembrei que comprei paçoca ontem e sinto que mereço uma paçoquinha para dormir bem.
Boa noite!


Pensamentos (e sentimentos) acelerados, de fato, costumam sobrecarregar mais que preparação para uma maratona. A questão é: não importa o tamanho do passo, você está caminhando de qualquer forma - e é isso que verdadeiramente importa.
Fico MUITO feliz que o caderno tenha sido um ombro amigo, e muito (muito!) honrada com a menção <3
esse assunto é muito interessante. lembro que li sobre a série The Bear fazer sucesso porque sentimos a adrenalina da ansiedade. e eu adoro a série, porém faz sentido. ;~