perto dos 30
e os dilemas criados pela sociedade
Quando eu tinha 20 anos, eu não me imaginava com quase 30. A sensação era de que aquele período duraria muito tempo. Não imaginava que de 2016 para cá já seriam 10 anos, apesar de ser óbvio.
Ainda tenho a sensação de “mas eu entrei na faculdade esses tempos”. Ou de que ainda sou um pouco do que eu costumava ser, mas diferente.
Há algo em mim que mudou. Estou passando por alguns conflitos internos e não sei se devo dizer se são os 30 ou se é apenas a vida acontecendo e eu acontecendo junto.
No auge dos meus 20 anos (eu sempre sonhei em falar “no auge dos…”), meu maior medo era engravidar, não por um desejo de ser ou não mãe, mas por saber que seria um pouco mais desafiador lidar com a maternidade naquele período - em que eu acordava às 04h e ia dormir às 01h.
Hoje, no auge dos meus 29 (ok, vou parar de falar “auge”), a minha preocupação é se um dia eu vou engravidar ou se eu sequer quero ser mãe. Ao mesmo tempo que quero, eu não sei. Estou lendo o novo livro da Ruth Manus, o “Ter ou não ter filhos”. Ainda não terminei e talvez, assim que finalizar, eu faça uma news apenas sobre isso.
Mas apenas um spoiler: no livro, ela traz com muita humanidade essa reflexão, especialmente sobre o quanto esse assunto é sensível e como devemos ter respeito pelas pessoas.
Esses dias eu estava no Uber e o motorista começou a falar sobre seus netos - que estão crescendo, estão saindo. Eis que ele caiu na pauta sobre seus filhos e resolveu me perguntar: “E você? Vai ser mãe ou mãe de pet?”. A minha vontade era dizer: “Mas eu só tenho 29 anos”.
A sociedade espera de você uma resposta. Ou melhor, as pessoas que habitam a sociedade esperam de você uma resposta. Incluindo, eu mesma. O que eu quero?
Lembro quando eu era criança e perguntava para alguns primos e primas se gostariam de ter filhos, e penso que talvez eles pensassem: “Mas que criança, hein”. Desculpem, primos e primas.
Pois bem. Já me questionaram, mais de uma vez, sobre a crise dos 30. A verdade é que algumas coisas passam pela minha cabeça, como: “você precisa tomar alguma grande decisão”; “você precisa mudar e começar os 30 de um jeito diferente”; “você precisa fazer algo por você”.
A verdade é que eu não me dou bem com conselhos tão abertos. Eu gosto dos detalhes, eu gosto de entender o que é mudar e começar de um jeito diferente. É sobre pintar os cabelos? Fazer um corte novo? Fazer uma viagem?
Porque, aqui entre nós, eu estava apenas pensando em comprar um novo Sylvanian Families, que quase custa um rim de tão caro. Vide exemplo abaixo. Eu amo essas coisas, mas elas são tipo caríssimas. Era isso que eu tinha em mente para a virada dos 30.
Sim, eu tenho outros sonhos, como já falei aqui sobre o Japão. Eu tenho entrado em conflito com essa questão de algo está por vir ou coisas boas vão acontecer, mas você precisa se movimentar. Mas o que é movimentar? O que é se permitir?
Eu tenho procurado respostas de diferentes formas. Eu voltei à terapia para entender o que estou sentindo, comecei a ler algumas coisas sobre o universo, estrelas e signos, eu tenho a minha fé e recorro a ela. Mas eu ainda não sei o que preciso mudar.
Pensei em fazer uma festa grande, mas nos últimos anos, apesar dos convites, meus aniversários diminuíram de tamanho. Não tem mais aquela galera toda. E, para falar a verdade, eu nem sei se é isso que eu gostaria.
Sentir o tempo passar, ao mesmo tempo que é bom, nos dá a sensação de que estamos ficando sem tempo. Mas, afinal, se tivéssemos mais tempo, o que faríamos? Ou melhor: será que faríamos?
Eu sei, as minhas newsletters e posts estão um tanto quanto melancólicos. Mas essa jornada que eu chamo de querida sanidade é justamente sobre isso. Sobre os percalços da vida. E sobre o que não é um percalço também.
Ontem, na terapia, eu falei por cerca de 50 minutos sem parar. Eu queria fazer um review do meu último ano, das coisas que aconteceram, das coisas que me atravessaram, como eu lidei com elas e como eu não consegui lidar.
Fato curioso: o conselho “tenha mais coragem” é tão ambíguo para mim que eu até me inscrevi no BBB deste ano. Não sei o que passou pela minha cabeça, mas foi uma alternativa que em um dia, no mercado aqui perto de casa, eu decidi fazer.
Eu tenho esse lado impulsivo. Esses dias apareceu uma oportunidade muito bacana, mas que não era certa, mas, ainda assim, era uma possibilidade. No fundo, eu já sabia que não daria certo. Mas li algo sobre “vamos jogar para o universo” e a minha interpretação foi “compra uma roupa para ir quando der certo”, eu comprei uma roupa em um tom que eu nunca imaginei usar na vida, mas casava com a tal oportunidade.
Eu comprei e não deu certo. A culpa não foi da roupa, do que desejei, se joguei ou não ao universo, eu sei. Hoje eu não tenho a tal chance, mas tenho um vestido super bonito para usar em algum momento (essa sou eu jogando novamente para o universo).
Cá entre nós, porque se chegou até essa parte é um sinal que temos íntimidade, eu estou bem, mas um pouco cansada. Mas estou procurando ajuda para lidar com todas essas emoções. A minha psicóloga ontem me perguntou: “o que te dá prazer de fazer?” e eu respondi “escrever” - não porque eu escrevo, mas porque em todas as minhas crises existenciais foi na escrita que eu encontrei um calmaria.
Por isso, eu escrevo.
Estou triste, escrevo.
Estou feliz, escrevo.
Estou apática, escrevo.
Estou qualquer coisa, escrevo.
É isso, né? Quer dizer, eu não sei o que é isso significa. Foi apenas um jeito que encontrei de fechar este desabafo.
Obrigada e até o próximo!



Eu espero que, com 30, você escolha movimentos impulsivos diferentes de entrar pro BBB. A gente precisa muito mais de você aqui do que dentro daquela casa. Mas, se você decidir e entrar, eu até voto pra você aproveitar tudo que puder e ganhar o prêmio! (E olha que não vejo BBB há anooos)
Agora que eu tô com quase 50 (falta pouco mais de 1 ano e meio) não quero dar uma de sábia senhora (até pq às vezes nem eu acredito que tenho quase 50!) mas acho que a gente busca esses grandes movimentos em todas as fases da vida. E talvez o que a gente precisa seja "só" seguir escrevendo. E o texto que você tem desenhado é lindo, pode ter certeza disso!
(Conta comigo sempre, se precisar de ajuda em alguma das vírgulas por aí!)
que lindeza de texto! me identifiquei com vários trechos, mas principalmente com “estou qualquer coisa, escrevo”. toda a magia de poder colocar pra fora sentimentos e pensamentos através de uma caneta e um papel, só entende quem escreve também. 💜