sábado à noite
em dia de show de bad bunny
Há cerca de dois anos, eu faço mapas dos sonhos. Vou abrir com vocês o meu do ano passado. O mapa não é um processo engessado, mas um direcionador. Pelo menos, eu vejo assim.
Eu comecei o ano com a vontade de viver mais, me permitir viver mais experiências. Dito isso, coloquei que eu gostaria de ir a mais shows - eu só fui em um na minha vida, no show do Imagine Dragons.
Não sei explicar, mas venho me sentindo um pouco mais deprimida. Sinto que não me permito viver. Talvez essa tenha sido uma resposta - voltar à terapia, no próximo mês, é a outra.
Apesar deste sonho, eu não fui a mais shows em 2025. Acredito que muitas coisas mudaram. Apenas um overview:
Cuidar mais da minha saúde física: eu entrei na ginástica (vamos esquecer a parte em que eu tive uma entorse de tornozelo).
Novos parceiros na Querida Sanidade: fiz colaborações bem legais.
Voltar a estudar inglês: voltei, mas parei.
Conseguir manter a sanidade trabalhando: eu pedi para sair do último emprego.
Guardar dinheiro: dentro do possível, eu consegui.
Construir lembranças com o Rafa (meu namorado - sim, eu namoro): não acho que saímos muito.
Planejar viagem internacional: não planejei, mas fiz a minha primeira sozinha - fui para Porto Alegre.
Comemorar meu aniversário: sim, sim e sim. <3
Perder a vergonha de gravar vídeos: em processo.
Começar um clube do livro: teve clubinho!
Começar uma pós: não comecei.
Começar a dirigir: não comecei.
Toda essa introdução para dizer que, na época, eu escolhi não comprar o ingresso para o show do Bad Bunny, porque não saberia cantar todas as músicas. Pelo menos, foi a “desculpa” que a minha mente me contou e acolheu.
Ontem teve o primeiro show, e eu realmente optei por ver só algumas coisas, até para não ficar sofrendo com: “eu deveria ter comprado”. Na verdade, quando paro para pensar nisso, eu imagino que deveria ter ido, tanto. Mas eu fiz o que pude, é a verdade.
Eu não estou em um dia tão animada - o que pode influenciar a minha newsletter. Para ser honesta, estou em casa, me recuperando de partidas perdidas no meu joguinho, na amiga que eu fiz no jogo e me excluiu sem eu saber o porquê, e pensando se deveria começar a ler algum livro.
Estou com uma das sensações mais ruins - a de que está todo mundo vivendo, menos eu. A parte consciente da minha cabeça me traz para perto e me ajuda a entrar no eixo, porque voltar seria uma palavra muito forte.
Acredito que todos nós, sem exceção, temos dias ruins. Eu estou escrevendo porque comecei um processo de lotar o potinho do que não deu certo. E a minha grande pergunta é: o que a gente faz com o que não deu certo? Muitos poderiam dizer: “você agarra e supera”.
Eu, hoje, escolho olhar para o que não deu certo e escrever sobre o que é dar certo. Porque, pensando aqui, eu também tenho um potinho com coisas boas. O ponto é que, de uma forma ou outra, a gente também precisa sentir o que nos atravessa.
Ao que não deu certo, estou aqui com a compreensão de que não deu certo. Eu abraço a dor, o sofrimento e até as lágrimas. Mas não mergulho em um mar nebuloso. Eu escolhi ficar com os pés na areia, quem sabe observando o sol nascer.
Pode parecer um pouco pessimista, mas não será a primeira e nem a última vez. Hoje, eu tenho um pouco mais de consciência e compreensão sobre os meus sentimentos. Ainda assim, como comentei, voltarei para a terapia, porque eu preciso.
Eu tomo, todos os dias, cerca de 7 remédios para ansiedade, depressão e para concentração. Em um ano, eu consumo mais de 2 mil comprimidos. Eu não me orgulho disso e também sei que doses altas são passageiras. Porque eu já estive do outro lado - do lado que conseguiu reduzir a dose.
Eu digo isso para trazer para perto um ponto: não dá para olhar só para um lado. O tratamento envolve uma porção de coisas - não só os meus diagnósticos, mas os temas que me machucam, o que eu não sei digerir, o que eu escondi e não quero me aprofundar.
Se você já chegou até aqui, me sinto íntima para dividir algumas coisas que me ajudam (não estou dando receitas, apenas dividindo experiências):
Apagar a luz do quarto e ligar minha luminária.
Jogar meus joguinhos comfy.
Ler um livrinho (quando não estou aos prantos).
Conversar com as minhas amigas.
Escrever (sim, é por isso que estou aqui hoje).
Assistir vídeos de comida de rua coreana (eu quero muito conhecer a Coreia e o Japão).
Ir para a ginástica - eu nunca imaginei dizer isso, mas gosto muito de ir e da sensação de voltar.
Eu não tenho nenhuma velinha cheirosa para acender; inclusive, penso em comprar uma. Você tem alguma dica? :)
Pois bem. Acho que todos nós estamos atravessando e sendo atravessados. Atravessando estradas que escolhemos ou que nem sabemos o porquê estamos ali. Sendo atravessados enquanto atravessamos. Mas, em um momento ou outro, também somos atravessados por coisas boas - é o que nos dá o gás para continuar atravessando.
Eu tenho medo do gás acabar. Acho que todos temos, não? Mas eu sei que eu posso pegar emprestado com algumas pessoas.
Honestamente, a vida como ela é tem tantas nuances. Qual será a minha neste momento? E qual será a sua?
Vamos ficar com essa pergunta enquanto assistimos aos stories de pessoas no show do Bad Bunny, risos.
Obrigada por ser a minha companhia no sábado à noite.



Aaaaahhhhh garota...adoro seu jeito de escrever. E você começou a falar do mapa dos sonhos..foi um sinal pra mim, pois eu fiz com fotos dia 1⁰ de janeiro, mas queria escrever os sonhos por áreas da minha vida como fiz ano passado, manifestar pra Deus, pro Universo. Eu preciso escrever pra mim sobre eles deste ano. Um deles até é sobre aprender italiano. Quem sabe???
Caraca outro dia eu estava chateada comigo porque eu não queria tomar mais remédio pra "ansiedade/depressão) mesmo eu estando numa fase um pouco melhor comigo, eu preciso da medicação. Minha mãe diz: graças a Deus esses remédios existem.
Receba meu abraço e te falo que deu vontade de sentar com você pra um lanche tipo aquelas comadres, comendo um bolo gostoso!
Bjs Edna
Sinta-se abraçada, Joice. Você também é minha companhia neste sábado à noite. ☺️