sonhos guardados
agora são sonhos compartilhados
Começo a escrever esta newsletter às 12h44, horário de Brasília. Fiz uma pausa rápida para o almoço - e não me orgulho ao dizer “pausa rápida”, como em outros momentos eu já me orgulhei.
Sinto e sei que estou em uma semana intensa e com muitas atividades no trabalho. É quando faço uma segunda pausa para ler o texto de uma amiga, me identifico com ele e choro.
Choro também porque havia dito à minha melhor amiga de infância que cuidaria dos cachorros dela por um dia, mas recuei, porque fiquei com medo de não dar conta. Não seria na minha casa e várias coisas começaram a se passar na minha cabeça (e se acontecer algo com eles?). Ela entende, me acolhe e diz que vai deixá-los em um hotel, o que me deixa mais tranquila, pois eu estava realmente com medo.
Percebo que dizer sim, neste caso, tomou-me uma dose de sanidade por uma série de fatores, especialmente o de que não me sinto pronta para cuidar de outra vida. E me questiono se um dia estarei pronta.
Às 13h, eu tenho terapia, a qual cogitei desmarcar pela intensidade das atividades. Mas lembro que ela é quinzenal - não necessariamente porque eu quero, mas porque, financeiramente falando, é o possível. É importante ressaltar esse ponto. O lado bom é que grande parte dos meus remédios é entregue gratuitamente no CAPS.
Havia combinado com a minha terapeuta que eu anotaria os principais acontecimentos ao longo dos dias, pois me lembraria de voltar a alguns tópicos marcantes. Eu não anotei.
Enquanto escrevo, lembro de que, no último encontro, uma pauta foi sobre ir a um evento presencial na segunda-feira da semana passada, ao qual eu disse, com o peito aberto: “Eu vou”. Ela sorriu e me incentivou. Eu não fui.
Sair de casa, para mim, demanda uma energia absurda. Não é pessoal com quem irei encontrar, é comigo. É o trajeto, o tempo, o desgaste. Sinto que fiquei assim após o burnout, que veio na pandemia. Entrar no trem me lembra a dinâmica do trabalho e quantas vezes eu mal respirei ali dentro.
Penso que talvez seja um ponto a ser superado, mas venho conversando sobre isso. Até sobre sair do meu espaço de conforto e ver a luz. A luz, no caso, do dia. Falar isso me lembrou do Joe, do filme Soul, indo ao encontro da “luz” em uma escadinha, após cair em um buraco. Alguns entenderão.
O ponto positivo é que não fui ao evento na segunda, mas fui a outro na terça-feira desta semana: um bate-papo com a Ruth Manus, uma escritora que eu tanto admiro. Conversamos um pouco sobre o seu último livro, sobre o qual eu fiz um vídeo contando como me tocou. Vou deixar a capinha do livro aqui também.
Se quiser comprar, deixo o link da minha lojinha.
A Ruth falou coisas incríveis e, apesar disso, eu sigo repetindo, pela quarta vez, a sua teoria da batata que é mais ou menos assim: você trocaria uma pessoa por uma batata? Se a resposta for sim, então, a depender do que essa pessoa te falar, nada importará. Porque, ao final, você sabe que a trocaria por uma batata.
Resumidademente:
🥔 ou 🧔? 🥔
Pausa para terapia (já volto para terminar)
Agora são 14h05 e eu volto para o texto. Passei por alguns pontos dele com a minha psicóloga. Me sinto um pouco em êxtase, em um bom sentido - o que deve ser natural e parte do processo terapêutico.
Relembro o título da newsletter, sonhos guardados, e reflito que o principal objetivo aqui não foi o deleite pelas minhas lamentações, mas entender o porquê elas existem, porque, antes de qualquer resultado, elas foram desejos dentro de mim.
Ao mesmo tempo que não consigo sair de casa para ir para São Paulo, eu quero conhecer o Japão - e talvez seja uma viagem feita sozinha. Eu sou capaz?
Ao mesmo tempo que não consigo cuidar dos cachorros da minha amiga, eu quero ter os meus bichinhos. Eu sou capaz?
Ao mesmo tempo que eu quero dar conta de tudo em uma semana intensa, eu quero cuidar de mim. Eu sou capaz?
Refleti um pouco sobre isso também. Entrei em uma outra temática que vem mexendo comigo, que é a criação de conteúdo, sobre como eu me enxergo dentro disso aqui.
Curiosamente, eu celebrava a cada 10 mil novos seguidores. Quando completei 70 mil, celebrei, compartilhei nos stories. No domingo, cheguei aos 80 mil e não comemorei… falei apenas para os meus pais.
A verdade é que, por trás desse número não celebrado, estão respostas que não recebi, orçamentos que não foram aprovados, propostas que não caminharam. E, cá entre nós, eu não posso reduzir toda a história a isso ou a 10 mil novas pessoas que chegam (ou não chegam).
Sinto que a vida é um eterno movimento em busca de si. A gente se encontra e, de repente, se desencontra. Então, nos buscamos novamente, em caminhos diferentes. Nos encontramos e nos perdemos. Ou nem é uma perda propriamente dita, mas despedidas de versões que não cabem mais.
Percebo que não escrevo apenas para que alguém leia, mas para que eu consiga voltar para mim. E talvez seja justamente isso que me salva em alguns dias.
Pensando em sonhos guardados, o meu sonho é publicar um livro, ainda que digital. Ele é meu sonho. Ou seja, os contratos não feitos, as respostas vazias, as parcerias que não caminharam… tudo isso eu poderia trocar por uma batata.
Agora preciso voltar ao trabalho.
Obrigada por mais essa leitura!



Amei a teoria das batatas!
E sobre a parte da gente se despedir do que não cabe mais.... entendo muito, mas como dói!
Sinto que a vida é um eterno movimento em busca de si. A gente se encontra e, de repente, se desencontra. Então, nos buscamos novamente, em caminhos diferentes. Nos encontramos e nos perdemos. Ou nem é uma perda propriamente dita, mas despedidas de versões que não cabem mais.
Percebo que não escrevo apenas para que alguém leia, mas para que eu consiga voltar para mim. E talvez seja justamente isso que me salva em alguns dias.
Amei tanto tanto essa parte! Me identifico principalmente com a segunda. (: